terça-feira, 14 de março de 2017

artes do corpo

A ultima aula do componente de Artes do Corpo se tratou de uma revisão geral de todo conteúdo abordado no semestre e me fez pensar sobre quais foram as contribuições reais do componente  para minha formação profissional e pessoal. Nessa analise sobre a maneira com que esse componente me afetou pude notar que o mesmo tratou das artes e das outras formas de conhecimento e expressão, e suas conceituações e distinções entre elas. O componente enfatizou a arte como forma de expressão e comunicação, o que, mesmo sendo uma afirmação tão óbvia, tem gente que não compreende essa relação, que remete na questão da arte e sociedade, trazendo e problematizando questões sobre a relação da arte com a sociedade (qual o papel da arte?) e como ela é recebida e percebida pela sociedade. 
Teorias e processos da arte do corpo, os distintos processos relacionados às expressões performáticas, contexto histórico das técnicas e processos artísticos da arte da performance, conceituação e experimentação das poéticas espaciais e temporais nas artes contemporâneas fizeram parte das discussões em aula, o que nos gerou conhecimentos e repertório distintos.


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"body art" - imagens da internet



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Análise das Danças Populares Brasileiras no âmbito das Artes Cênicas

Essa aula propôs uma análise às danças populares do Brasil. Mas a sugestão foi analisarmos na perspectiva da arte cênicas, interpretando "arte cênica" como toda e qualquer forma de arte que se desenvolve num palco ou local de representação para um espectador/público.  

Para isso tivermos como base um texto intitulado "Artes populares brasileiras do espetáculo e encenações" e tem como autores Eloisa Domenici, Adalberto da Palma Pereira, Denise Coutinho, Laure Garrabé, Flávio Soares Alves,  Marília Vieira Soares, Sonia Rangel e a turma de 2004 a 2007 da Licenciatura em Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O texto, assim como a aula, propõe que analisemos danças populares pela vertente da arte cênica, um vez que a maioria das pesquisas sobre manifestações populares tendem a ser analisada pela perspectiva da música.

Segundo Eloisa Domenci, autora do texto e docente do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas e do Instituto de Artes, Humanidades e Ciências Dr. Milton Santos, Universidade Federal da Bahia (UFBA), no caso das chamadas “danças populares brasileiras”, a maior parte da pesquisa se deu em outros campos, que não as artes cênicas. Nesse sentido, os parâmetros de descrição e análise são pouco produtivos para as questões específicas das artes cênicas. É preciso deslocar o eixo de análise para o corpo, considerando as epistemologias locais para entende-las. Ao invés de ‘passos’ ou ‘coreografia’, existem parâmetros mais produtivos de análise, tais como o papel do jogo para a configuração da dança ou da cena, os estados tônicos do corpo que dança e as dinâmicas corporais específicas, as relações entre a dança e o cotidiano dos brincantes, as dramaturgias que emergem do corpo, entre outras. 

Com a leitura do texto e com as provocações da aula, começamos a fazer e analise proposta,  e chegamos a conclusão que também não é possível enxergarmos a dança popular e a dança clássica de uma mesma perspectivas pois há logicas diferentes que as norteiam, existe outro modo de funcionamento que não é o que prevalece na dança clássica. Isso fica claro quando analisamos os elementos da movimentação dos brincantes/dançarinos.

Na dança popular há dinâmicas corporais, numa especie de jogo, ao invés de passos e coreografia prontas e milimetricamente ensaiadas, como na dança clássica. Uma dinâmica corporal inclui vários matizes e pequenas variações do movimento, que podem ser de acentuação rítmica, de tonicidade corporal, ou mesmo de desenho do corpo no espaço. A diferença é que a ideia de passo isola padrões de movimento, enquanto a ideia de dinâmicas corporais os agrupa em ‘famílias’ que se organizam de forma interligada. Para dar exemplos e fomentar a discussão em aula, a professora trouxe o exemplo do Samba e do Bumba-Meu-Boi. 

Bumba-Meu-Boi de Ponta Verde, Maceió - Alagoas



Samba de Roda Dona Nicinha Raízes de Santo Amaro

A dinâmica corporal do samba se caracteriza pelos seguintes elementos: 

• Disposição dos participantes feita em circulo ou em formato aproximado, por isso o nome de samba de roda; 
• Os instrumentos mais usados são: viola, violão, cavaquinho, pandeiros, marcação repique e triângulo; 
• Os tocadores fazem parte do circulo; 
• O canto é puxado por uma pessoa e respondido pelos demais, acompanhado por palmas.; 
• Cantam-se estrofes e sílabas e repete a estrofe principal. Em certos casos é chamado de chula e pode ser cantado por um ou dois cantadores, enquanto a resposta pode ser cantada por todos os presentes. (a chula são estrofes relativamente curtas, podendo ser de um único verso, até oito versos); 
• No centro de um circulo e ao som dos instrumentos e das palmas, uma dançarina, ou seja, a sambadeira sambando salda os tocadores, dá a volta no circulo e depois dá uma umbigada em outro companheiro convidando-o para substitui-la na roda. A umbigada, (atrito de umbigo contra umbigo, ou na região do umbigo) é um dos gestos mais típicos do samba de roda;
• A coreografia, feita dentro da roda, pode ser variada. Seu gesto típico é o chamado miudinho. A mulher samba num sapateado para frente e para trás com pés quase colados no chão, com a movimentação correspondente dos quadris. Os homens também sambam.

Como não há passos definidos, não podemos denominar o samba de roda como uma coreografia, mas isso não faz com que o samba de roda não possa ser considerado arte cênica, e, sendo assim, analisa-lo através disso.  A Dança Popular é arte e também deve ser analisada como tal, pois uma revisão epistemológica na pesquisa das brincadeiras populares pode resultar em contribuições mais substanciais para as artes do corpo.


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Biografia:

DOMENICI, Eloisa. A pesquisa das danças populares brasileiras: questões epistemológicas para as artes cênicas.  Cadernos do GIPE-CIT: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporaneidade, Imaginário e Teatralidade / Universidade Federal da Bahia. Escola de Teatro, Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas, Escola de Dança. – n. 23, out. 2009 - Salvador: UFBA/ PPGAC, 2009.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Corpo Contemporâneo E Cultura Popular

A aula do dia seis de fevereiro concentrou-se no debate sobre o corpo contemporâneo e a cultura popular. Para isso, o professor contou como embasamentos teóricos os seguintes textos:
  • DOMENICI, Eloisa. A pesquisa das danças populares brasileiras: questões epistemológicas para as artes cênicas.  Cadernos do GIPE-CIT: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporaneidade, Imaginário e Teatralidade / Universidade Federal da Bahia. Escola de Teatro, Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas, Escola de Dança. – n. 23, out. 2009 - Salvador: UFBA/ PPGAC, 2009.
  • MARTINS, Leda Maria. Cena em sombras. Editora perspectiva S.A, São Paulo, 1995
  •  VICENTE, Valéria. Entre a ponta de pé e o calcanhar: reflexões sobre o frevo na criação coreográfica do Recife, na década de 1990: cultura, subalternidade e produção artística. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, 2008.

O debate sobre o corpo contemporâneo em relação a cultura popular nos levou a reflexões interessantes e nos fizeram percorrer por alguns temas. Um exemplo disso foi a discussão sobre o naturalismo e o realismo para ilustrar um outro tema, que são as idéias que percorrem entre o que seria folclore e o que seria a cultura popular. 

Para nos deixar a par das discussões, fiz um levantamento de informações sobre os temas:


Naturalismo x Realismo 


Segundo Eça de Queirós o Realismo é uma reação contra o Romantismo no qual o que predomina é a cena naturalista. O romantismo era a apoteose do sentimento enquanto o realismo é a anatomia do caráter, é a crítica do homem, é a arte que nos pinta a nossos próprios olhos para condenar o que houve de mau na nossa sociedade.
A baixo segue uma lista das diferenças entre o realismo e naturalismo:




Folclore x Popular

As ideias que permeiam o folclore e cultura popular tem são distintas e dão vasão a um rico debate. 


Existem ideologias que admitem o que folclore é tudo aquilo que o homem do povo faz e reproduz como tradição. Para outras pessoas, é só uma pequena parte das tradições populares. Para uns, o domínio do que é folclore é tão grande quanto o do que é cultura. Para outros, folclore é a mesma coisa que cultura popular. De fato para algumas pessoas as duas palavras são sinônimas.

O estudioso de folclore Luís da Câmara Cascudo define folclore como "a cultura do popular tomada normativa pela tradição". Outros pesquisadores do assunto defendem a ideia que existem importantes diferenças entre folclore e cultura popular. Muita gente acredita que os dois nomes são a mesma coisa, sendo o folclore o nome mais conservador daquilo de que cultura popular é o mais progressista. Mas há também pessoas que interpretam "folclore" como o popular engessado e estereotipado, enquanto a cultura do popular de fato, ao que é tradição. 
O professor usou do exemplo do Naturalismo x Realismo para ilustrar o que diferenciaria, pra ele, a cultura popular do folclore. Ele aproximou o folclore do conceito mais naturalista do teatro, enquanto a cultura popular assumiria um papel mais realista. 


Arte Negra
Mais adiante na aula, entramos no assunto do que seria arte negra. Arte feita pra negros? Arte feita por negros? Arte que relatam situações vividas por negros? Arte que contam histórias de negros? Que histórias seriam essas? Que situações seriam essas? Afinal, o que é considerado Negro? Essas questões por sí só já geram inúmeras reflexões, das quais uma unica conclusão não se dá por suficiente.  E é aí que pensamos sobre o papel e o espaço do negro na arte contemporânea. Onde se dá esse esses espaços? E qual é esse papel?

Na aula conceitos como "empoderamento" e "apropriação" surgiram diversas vezes na discussão de como uma arte negra pode dar vasão a uma concessão de poder para os próprios e de como a apropriação cultural pode ser recorrente nesses processos.

Para ilustrar a discussão, o professor trouxe informações sobre a companhia de teatro "Teatro Experimental do Negro" (TEN) que tem como proposta de ação reabilitar e valorizar socialmente a herança cultural, a identidade e a dignidade do afro-brasileiro por meio da educação, da cultura e da arte. O TEN foi fundado em 13 de outubro de 1944, no Rio de Janeiro, por iniciativa do economista e ator Abdias do Nascimento (1914-2011). O vídeo abaixo conta um pouco do TEN.



Outro elemento apresentado e discutido em aula foi o Bando de Teatro Olodum, grupo que tem como proposta uma linguagem cênica contemporânea, comprometida com um teatro engajado, mas também atento à alegria do palco. As peças do Bando mesclam humor e discussão racial, leveza e ironia, diversão e militância. Além da palavra, os atores utilizam a dança e a música, referenciais rituais do Candomblé e se embriagam na fonte da cultura afro-brasileira. 



O vídeo acima mostra um pouco do espetáculo "Áfricas", primeiro espetáculo infanto-juvenil do grupo, que traz à cena o continente africano, através de seus contos, seu povo, seus mitos e religiosidade. Assim, os atores, como griôs, contam histórias em narrativas permeadas de dança e música e resgatam, investindo na forma lúdica e poética, o orgulho da afrodescendência no imaginário infanto-juvenil. 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Dança Brasileira Contemporânea

Lugar do Povo na dança hegemônica


O texto que trabalhamos na aula do dia trinta de janeiro é uma dissertação escrita por Valéria Vicente intitulada de "Entre a ponta de pé e o calcanhar: reflexões sobre o frevo na criação coreográfica do Recife, na década de 1990: cultura, subalternidade e produção artística" e traz uma análise do processo de transformação da dança frevo e faz isso de uma forma atenta às disputas narrativas e às hierarquias do campo da arte, tendo como base discussões pós-coloniais e através da análise de espetáculos, discute parte da produção coreográfica que no Recife, na década de 1990, apresentou elementos de danças populares como elemento criativo e plástico. 

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Dançarinas dançando frevo.

 A autora da dissertação diz que a ideia que dar legitimidade a produção coreográfica em Recife na década de 90 está tradicionalmente ligado à idealização da nação como comunidade homogênea, o que supõe o apagamentos das disputas sociais. No entanto, este cenário, criado no limite entre a arte convencional e as artes populares, constitui-se como espaço para produções artísticas que divergem dos padrões convencionalmente aceitos.


Valéria Vicente segue dizendo que a ideia que tem organizado o discurso sobre a dança ser parte do entendimento de grupos hemogênicos tem privilegiado a dança da Europa e a dos Estados Unidos e as dão o status de serem universais. Ela afirma que essa ideia não permeia só a produção artística brasileira, mas também a produção intelectual.

O texto também traz uma análise sobre como o discurso da Nação Nova é homogeneizador e sobre a maneira com que a "diferença cultural" pode ser interpretada como uma forma intervenção nesse discurso. O que é claro, pois, a cultura é o marco de um povo  e se há uma diversidade cultural, fica evidente que há uma diversidade social, indo contra a ideia de uma nação homogênea. 

A dança contemporânea no brasil está fortemente ligada à cultura, sendo assim, as danças populares que dá espaço espaço ao povo, uma vez entendido que na dança hegemônica não há esse espaço.  As danças indígenas é um exemplo da importância desse espaço e legitimidade que a diversidade cultural dá as danças populares. Na cultura indígena as danças são direta ou indiretamente lugadas a espiritualidade e rituais, e, entre as mais conhecidas estão toré, no Nordeste e kuarup, realizada pelos indígenas do Alto Xingu, no Mato Grosso. Veja a baixo uma reportagem sobre o kuarup:





Abaixo segue um vídeo onde os Kariri-Xoco dançam toré.



Além das danças indígenas do frevo, e do samba ,no Brasil há muitas danças populares, como esses quais vou citar abaixo:

Maracatu: O surgimento do maracatu causa controvérsias; porém, acredita-se que ele surgiu por volta de 1700, trazido pelos portugueses ao Brasil. A dança tinha partes com coreografias e teatro e era acompanhada por músicos e dançarinos. Esses vestiam roupas que remetiam a realeza (porta-estandarte, rei, rainha, príncipes, duquesas e duques, etc.). Posteriormente, o maracatu passou a ser realizado durante o Carnaval. Além disso, a dança tem a participação de instrumentos como zabumba e ganzas.
Pau-da-bandeira: Dança realizada principalmente na região nordeste que acontece principalmente durante o dia de Santo Antônio. Um tronco é escolhido e carregado pelos homens da cidade. Como manda a tradição, as mulheres que desejam casar devem tocar esse tronco.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando maracatu:

Maneiro-Pau: Dança com maior influência no estado do Ceará, Maneiro-Pau conta com dançarinos que realizam os passos em rodas e com pedaços de pau nas mãos. Esses pedaços são batidos no chão formando o ritmo da dança. Durante toda a coreografia, alguns participantes duelam enquanto outros batem no chão.
Abaixo uma reportagem sobre a o mineiro-pau:


Caninha Verde: Dança portuguesa que foi inserida no país durante o Ciclo do Açúcar. Também foi praticada em colônias de pescadores, festas de casamento e cordões.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando caninha verde:



Bumba meu Boi: Um dos símbolos folclóricos do Brasil, o Bumba meu Boi mescla dança, música e teatro. Além disso, é praticado nas mais variadas regiões do país. Os personagens cantam e dançam para contar a história de um boi que morreu e ressuscitou após ter sua língua cortada para satisfazer os desejos de uma mulher grávida.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando bumba meu boi:


Fandango: Essa dança chegou à região sul do Brasil por volta de 1750 e foi trazida por portugueses. Os dançarinos recebiam o nome de folgadores e folgadeiras dançavam em festas executando diversos passos. Atualmente, permanece preservado na região com passos, música e canto. Os instrumentos mais usados são as violas, a rabeca, o acordeão e o pandeiro. Os dançarinos vestem roupas típicas da região e rodam próximo ao seu par, mas sem se tocar. Eles se movimentam para atrair a atenção do outro e os homens sapateiam de forma contínua. A dança contém traços de valsas e bailes e forte presença de sensualidade.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando fandango:



Carimbó: Enquanto os homens vestem camisas e calças lisas, as mulheres utilizam blusas com ombros à mostra e saias rodadas. Os casais ficam em fileiras e o homem se aproxima de seu par batendo palmas. Segue-se passos de volteio e as mulheres também jogam um lenço no chão para que seu parceiro possa pegar como forma de respeito.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando carimbó:



Coco: É um ritmo típico da Região Nordeste do Brasil. Há controvérsias sobre o estado em que se originou, sendo citados os estados de Pernambuco, da Paraíba e de Alagoas. O nome refere-se também à dança ao som deste ritmo. "Coco" significa cabeça, de onde vêm as músicas, de letras simples. Com influência africana e indígena, é uma dança de roda acompanhada de cantoria e executada em pares, fileiras ou círculos durante festas populares do litoral e do sertão nordestino.  
Abaixo um vídeo de pessoas dançando coco:




* Informações sobre as danças disponíveis no sites http://tipos-de-danca.info/dancas-brasileiras.html

Teatralidade contemporânea / Cultura popular

 Corpo, Memória, Oralidade e Tradição 


Todo corpo tem memória. 

Essa frase pode soar estranho, mas vamos por partes.

Pra começar, vamos analisar o significado da palavra "memória". Segundo o Dicionário Online de Português (dicio.com.br) o significado da palavra MEMÓRIA é: Faculdade de reter ideias, sensações, impressões, adquiridas anteriormente. Aí nos perguntamos como é que o corpo é capaz de fazer isso, mas é, e é mais comum do que se possa imaginar. 

Existem inúmeras evidências, pesquisas e trabalhos acadêmicos/científicos que provam que não apenas o cérebro que é capaz de guardar informações, mas o nosso corpo também. Sendo assim, o corpo também é registro, assim como a oralidade e a escrita. 

O mundo contemporâneo tem por uma das suas principais características o rompimento com o passado, a crença que o novo é sempre melhor do que o velho. Gasset , filósofo, argumenta que o que diferencia o homem do animal não é a inteligência, mas a capacidade de reter memória. Alguns animais se mostram muito inteligentes, porém, por não conseguir reter informações, não conseguem aprender e evoluir. A humanidade tem uma bagagem cultural que se configura na tradição; é perigoso desprezá-la. “O verdadeiro tesouro do homem é o tesouro de seus erros, a longa experiência de vida decantada gota a gora durante milênios (…) Romper a continuidade com o passado, querer começar de novo, é aspirar a descer e plagiar o orangotango“. Já para o filósofo grego Platão, a transmissão da tradição seria resultante de um processo de cultivo, comparável àquele que cultiva e registra suas experiências nesse jardim da escritura para desfrutá-las em sua velhice. 

As memórias corporais e a oralidade são elementos muito importantes para a construção e manutenção de uma sociedade, principalmente quando se trata de tradição. Segundo o Wikipedia a palavra "tradição" veio do latim "traditio, tradere" que significa "entregar", "passar adiante" e é a continuidade ou permanência de uma doutrina, visão de mundo, costumes e valores de um grupo social ou escola de pensamento. Ao nível da etnografia, a tradição revela um conjunto de costumes, comportamentos, memórias, rumores, crenças, lendas, música, práticas, doutrinas e leis que são transmitidos para pessoas de uma comunidade, sendo que os elementos passam a fazer parte da cultura.

Por muito tempo, as tradições foram transmitidas oralmente, de geração para geração, por meio de contas, lendas e cantigas. Corpo e oralidade são aspectos que sempre foram fundamentais de nossa vida em sociedade, pois é por meio dela que nos socializamos, construímos conhecimentos, organizamos nossos pensamentos e experiências, ingressamos no mundo, assim, ela amplia nossas possibilidades de inserção e de participação nas diversas práticas sociais. A oralidade se tornou um meio de conexão entre o passado e o presente . Mas com a chegada da internet e com o avanço das novas tecnologias, essa forma de comunicação e ensinamento está ameaçada.  A Cultura oral atualmente é desprezada pelo ensino formal. Mesmo com toda riqueza e diversidade da cultura popular, as escolas excluem de seus currículos o ensinamento da transmissão oral de tradições. 

 Hoje existe um projeto de lei que tem como objetivo garantir a valorização da tradição oral e o ensino desse saber nas escolas. É o Projeto da Lei Griô (http://www.leigrionacional.org.br/)  que pretende implementar uma política nacional para o reconhecimento e incentivo da oralidade. A expressão 'Griô' é de origem africana, e denomina um guardião da memória da história oral de um povo ou comunidade. A palavra é usada para designar as pessoas que têm a missão de receber e transmitir ensinamentos como um fio condutor entre gerações e culturas.

Logo Lei Griô Nacional


Com toda essa discurso sobre corpo, registro, tradição e memória, fica claro a importância da legitimação da memória corporal e da oralidade, mas com isso, não se pode subestimar a importância da passagem do texto oral para a escritura pois isso não representa uma perda de vitalidade, em função de uma ausência da voz viva. O texto escrito, por sua vez, também não é portador de uma maior fidelidade a algo que foi comunicado na origem de sua produção, mas ambos estão em constante relação de troca, entre si e com os acontecimentos históricos, criando uma memória viva, portadora da tradição, que se faz presente no aqui e agora através da performance, ato vivo de comunicação.


Referencias: 

https://dicio.com.br
GASSET, Jose Ortega y: A Rebelião Das Massas
PLATÃO: Diálogos (Fedro), México: Editorial Porrúa, 1996
https://pt.wikipedia.org/

domingo, 22 de janeiro de 2017

Manifestos - O Tropicalismo

  
Tivemos uma aula em que falamos sobre manifestos e tivemos alguns exemplos dos mesmos. Essa aula me foi super bacana pois me remeteu algumas coisas que me são muito importantes, principalmente o Movimento Tropicalista, o qual vou falar um pouco pois me é muito significativo, que tem tudo a ver com a aula e com as artes do corpo. Segundo o dicionario manifesto é um gênero textual que consiste numa espécie de declaração formal, persuasiva e pública para a transmissão de opiniões, decisões, intenções e ideias.






 O Movimento tropicalista surgido na década de 60 segundo o jconline.ne10 foi um “ataque feito a seis mãos contra a repressão e caretice vigentes em um País cercado pela ditadura militar.” O movimento idealizado por Caetano e Gil reunia um um grupo de artistas que, insatisfeitos com os rumos da música brasileira depois da Bossa Nova, visavam uma revolução no campo da MPB na qual eles incorporavam elementos como a guitarra, o rock, a poesia concreta, antropofagia modernista, bolero e tinham influencia de artistas como Carmen Miranda, Gonzagão e Chacrinha.

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Caetano Veloso e Gilberto Gil

O Tropicalismo influenciou muito a sociedade contemporânea levando seus idealizadores a concorrer ao Festival de Música Popular Brasileira organizado pela TV Record, que em 1967 chocaram conservadores e, ao mesmo tempo, conquistam muitos simpatizantes à causa revolucionária: Caetano Veloso cantando “Alegria, Alegria” musica marcante pelo cunho politico que ia contra a ditadura, acompanhado pelo grupo de rock Beat Boys, e Gilberto Gil com a musica “Domingo no Parque”, acompanhado banda “Mutantes”. Eles não ganharam o festival, perdendo para “Roda Viva, de Chico Buarque. Essa noite deu origem a um documentário chamado de “Uma noite em 67” dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil.







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Disco "Caetano Veloso" de 1968
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Disco "Gilberto Gil" de 1968
O ano de 1968 foi o talvez o mais importante para o movimento. Caetano lançou seu primeiro disco solo intitulado por “Caetano Veloso” e Gil lançou seu terceiro álbum: “Gilberto Gil”. Ambos os trabalhos totalmente voltados com as ideias propostas pelos tropicalistas. 

Porém o ponto alto do movimento ainda estava por vir: o disco “Tropicália ou Panis et Circencis”. Um disco que reunia artistas tropicalistas como Caetano, Gil, Mutantes, Tom Zé, Nara Leão, Gal Costa, os poetas Torquato Neto e Capinam, e o maestro Rogério Duprat. Confiram a obra completa a baixo: 




No ano seguinte se aconteceu o exílio de Caetano e Gil para  a cidade de Londes, dado pela conjuntura politica da época, a Ditadura Militar e com isso o Tropicalismo foi encerrado como movimento cultural, mas seu legado é muito maior do que possa parecer, pois deixou aos músicos que vieram depois uma liberdade maior de  experimentação musical, visual, e idealista sem as amarras  tradicionalismo.