Lugar do Povo na dança hegemônica
O texto que trabalhamos na aula do dia trinta de janeiro é uma dissertação escrita por Valéria Vicente intitulada de "Entre a ponta de pé e o calcanhar: reflexões sobre o frevo na criação coreográfica do Recife, na década de 1990: cultura, subalternidade e produção artística" e traz uma análise do processo de transformação da dança frevo e faz isso de uma forma atenta às disputas narrativas e às hierarquias do campo da arte, tendo como base discussões pós-coloniais e através da análise de espetáculos, discute parte da produção coreográfica que no Recife, na década de 1990, apresentou elementos de danças populares como elemento criativo e plástico.
| Dançarinas dançando frevo. |
A autora da dissertação diz que a ideia que dar legitimidade a produção coreográfica em Recife na década de 90 está tradicionalmente ligado à idealização da nação como comunidade homogênea, o que supõe o apagamentos das disputas sociais. No entanto, este cenário, criado no limite entre a arte convencional e as artes populares, constitui-se como espaço para produções artísticas que divergem dos padrões convencionalmente aceitos.
Valéria Vicente segue dizendo que a ideia que tem organizado o discurso sobre a dança ser parte do entendimento de grupos hemogênicos tem privilegiado a dança da Europa e a dos Estados Unidos e as dão o status de serem universais. Ela afirma que essa ideia não permeia só a produção artística brasileira, mas também a produção intelectual.
O texto também traz uma análise sobre como o discurso da Nação Nova é homogeneizador e sobre a maneira com que a "diferença cultural" pode ser interpretada como uma forma intervenção nesse discurso. O que é claro, pois, a cultura é o marco de um povo e se há uma diversidade cultural, fica evidente que há uma diversidade social, indo contra a ideia de uma nação homogênea.
A dança contemporânea no brasil está fortemente ligada à cultura, sendo assim, as danças populares que dá espaço espaço ao povo, uma vez entendido que na dança hegemônica não há esse espaço. As danças indígenas é um exemplo da importância desse espaço e legitimidade que a diversidade cultural dá as danças populares. Na cultura indígena as danças são direta ou indiretamente lugadas a espiritualidade e rituais, e, entre as mais conhecidas estão toré, no Nordeste e kuarup, realizada pelos indígenas do Alto Xingu, no Mato Grosso. Veja a baixo uma reportagem sobre o kuarup:
Abaixo segue um vídeo onde os Kariri-Xoco dançam toré.
Além das danças indígenas do frevo, e do samba ,no Brasil há muitas danças populares, como esses quais vou citar abaixo:
Maracatu: O surgimento do maracatu causa controvérsias; porém, acredita-se que ele surgiu por volta de 1700, trazido pelos portugueses ao Brasil. A dança tinha partes com coreografias e teatro e era acompanhada por músicos e dançarinos. Esses vestiam roupas que remetiam a realeza (porta-estandarte, rei, rainha, príncipes, duquesas e duques, etc.). Posteriormente, o maracatu passou a ser realizado durante o Carnaval. Além disso, a dança tem a participação de instrumentos como zabumba e ganzas.
Pau-da-bandeira: Dança realizada principalmente na região nordeste que acontece principalmente durante o dia de Santo Antônio. Um tronco é escolhido e carregado pelos homens da cidade. Como manda a tradição, as mulheres que desejam casar devem tocar esse tronco.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando maracatu:
Maneiro-Pau: Dança com maior influência no estado do Ceará, Maneiro-Pau conta com dançarinos que realizam os passos em rodas e com pedaços de pau nas mãos. Esses pedaços são batidos no chão formando o ritmo da dança. Durante toda a coreografia, alguns participantes duelam enquanto outros batem no chão.
Abaixo uma reportagem sobre a o mineiro-pau:
Caninha Verde: Dança portuguesa que foi inserida no país durante o Ciclo do Açúcar. Também foi praticada em colônias de pescadores, festas de casamento e cordões.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando caninha verde:
Bumba meu Boi: Um dos símbolos folclóricos do Brasil, o Bumba meu Boi mescla dança, música e teatro. Além disso, é praticado nas mais variadas regiões do país. Os personagens cantam e dançam para contar a história de um boi que morreu e ressuscitou após ter sua língua cortada para satisfazer os desejos de uma mulher grávida.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando bumba meu boi:
Fandango: Essa dança chegou à região sul do Brasil por volta de 1750 e foi trazida por portugueses. Os dançarinos recebiam o nome de folgadores e folgadeiras dançavam em festas executando diversos passos. Atualmente, permanece preservado na região com passos, música e canto. Os instrumentos mais usados são as violas, a rabeca, o acordeão e o pandeiro. Os dançarinos vestem roupas típicas da região e rodam próximo ao seu par, mas sem se tocar. Eles se movimentam para atrair a atenção do outro e os homens sapateiam de forma contínua. A dança contém traços de valsas e bailes e forte presença de sensualidade.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando fandango:
Carimbó: Enquanto os homens vestem camisas e calças lisas, as mulheres utilizam blusas com ombros à mostra e saias rodadas. Os casais ficam em fileiras e o homem se aproxima de seu par batendo palmas. Segue-se passos de volteio e as mulheres também jogam um lenço no chão para que seu parceiro possa pegar como forma de respeito.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando carimbó:
Coco: É um ritmo típico da Região Nordeste do Brasil. Há controvérsias sobre o estado em que se originou, sendo citados os estados de Pernambuco, da Paraíba e de Alagoas. O nome refere-se também à dança ao som deste ritmo. "Coco" significa cabeça, de onde vêm as músicas, de letras simples. Com influência africana e indígena, é uma dança de roda acompanhada de cantoria e executada em pares, fileiras ou círculos durante festas populares do litoral e do sertão nordestino.
Abaixo um vídeo de pessoas dançando coco:
* Informações sobre as danças disponíveis no sites http://tipos-de-danca.info/dancas-brasileiras.html
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