- DOMENICI, Eloisa. A pesquisa das danças populares brasileiras: questões epistemológicas para as artes cênicas. Cadernos do GIPE-CIT: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporaneidade, Imaginário e Teatralidade / Universidade Federal da Bahia. Escola de Teatro, Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas, Escola de Dança. – n. 23, out. 2009 - Salvador: UFBA/ PPGAC, 2009.
- MARTINS, Leda Maria. Cena em sombras. Editora perspectiva S.A, São Paulo, 1995
- VICENTE, Valéria. Entre a ponta de pé e o calcanhar: reflexões sobre o frevo na criação coreográfica do Recife, na década de 1990: cultura, subalternidade e produção artística. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, 2008.
O debate sobre o corpo contemporâneo em relação a cultura popular nos levou a reflexões interessantes e nos fizeram percorrer por alguns temas. Um exemplo disso foi a discussão sobre o naturalismo e o realismo para ilustrar um outro tema, que são as idéias que percorrem entre o que seria folclore e o que seria a cultura popular.
Para nos deixar a par das discussões, fiz um levantamento de informações sobre os temas:
Naturalismo x Realismo
Segundo Eça de Queirós o Realismo é uma reação contra o Romantismo no qual o que predomina é a cena naturalista. O romantismo era a apoteose do sentimento enquanto o realismo é a anatomia do caráter, é a crítica do homem, é a arte que nos pinta a nossos próprios olhos para condenar o que houve de mau na nossa sociedade.
A baixo segue uma lista das diferenças entre o realismo e naturalismo:
Folclore x Popular
As ideias que permeiam o folclore e cultura popular tem são distintas e dão vasão a um rico debate.
Existem ideologias que admitem o que folclore é tudo aquilo que o homem do povo faz e reproduz como tradição. Para outras pessoas, é só uma pequena parte das tradições populares. Para uns, o domínio do que é folclore é tão grande quanto o do que é cultura. Para outros, folclore é a mesma coisa que cultura popular. De fato para algumas pessoas as duas palavras são sinônimas.
O estudioso de folclore Luís da Câmara Cascudo define folclore como "a cultura do popular tomada normativa pela tradição". Outros pesquisadores do assunto defendem a ideia que existem importantes diferenças entre folclore e cultura popular. Muita gente acredita que os dois nomes são a mesma coisa, sendo o folclore o nome mais conservador daquilo de que cultura popular é o mais progressista. Mas há também pessoas que interpretam "folclore" como o popular engessado e estereotipado, enquanto a cultura do popular de fato, ao que é tradição.
O professor usou do exemplo do Naturalismo x Realismo para ilustrar o que diferenciaria, pra ele, a cultura popular do folclore. Ele aproximou o folclore do conceito mais naturalista do teatro, enquanto a cultura popular assumiria um papel mais realista.
Arte Negra
Arte Negra
Mais adiante na aula, entramos no assunto do que seria arte negra. Arte feita pra negros? Arte feita por negros? Arte que relatam situações vividas por negros? Arte que contam histórias de negros? Que histórias seriam essas? Que situações seriam essas? Afinal, o que é considerado Negro? Essas questões por sí só já geram inúmeras reflexões, das quais uma unica conclusão não se dá por suficiente. E é aí que pensamos sobre o papel e o espaço do negro na arte contemporânea. Onde se dá esse esses espaços? E qual é esse papel?
Na aula conceitos como "empoderamento" e "apropriação" surgiram diversas vezes na discussão de como uma arte negra pode dar vasão a uma concessão de poder para os próprios e de como a apropriação cultural pode ser recorrente nesses processos.
Para ilustrar a discussão, o professor trouxe informações sobre a companhia de teatro "Teatro Experimental do Negro" (TEN) que tem como proposta de ação reabilitar e valorizar socialmente a herança cultural, a identidade e a dignidade do afro-brasileiro por meio da educação, da cultura e da arte. O TEN foi fundado em 13 de outubro de 1944, no Rio de Janeiro, por iniciativa do economista e ator Abdias do Nascimento (1914-2011). O vídeo abaixo conta um pouco do TEN.
Outro elemento apresentado e discutido em aula foi o Bando de Teatro Olodum, grupo que tem como proposta uma linguagem cênica contemporânea, comprometida com um teatro engajado, mas também atento à alegria do palco. As peças do Bando mesclam humor e discussão racial, leveza e ironia, diversão e militância. Além da palavra, os atores utilizam a dança e a música, referenciais rituais do Candomblé e se embriagam na fonte da cultura afro-brasileira.
O vídeo acima mostra um pouco do espetáculo "Áfricas", primeiro espetáculo infanto-juvenil do grupo, que traz à cena o continente africano, através de seus contos, seu povo, seus mitos e religiosidade. Assim, os atores, como griôs, contam histórias em narrativas permeadas de dança e música e resgatam, investindo na forma lúdica e poética, o orgulho da afrodescendência no imaginário infanto-juvenil.

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