domingo, 22 de janeiro de 2017

Módulo 1 – O corpo e as vanguardas artísticas / Música

Música - Uma Arte do Corpo


Do módulo mais musical, se podemos assim dizer, o que me ficou guardado foi a certeza da afirmação de que música também é uma arte do corpo, coisa que eu nunca tinha pensado sobre e de repente me ficou muito claro. O grupo Barbatuques ilustra bem essa afirmação: 



Se dissermos que o corpo é um ‘instrumento musical’, possivelmente estaremos incluindo-o no mesmo universo dos outros instrumentos musicais, mas será o corpo é só mais um instrumento, quando comparado aos outros? Dependendo de como usamos essa terminologia, estaremos optando por valores diferentes. Por exemplo, se, em vez de usarmos a palavra ‘instrumento’, usarmos a palavra ‘recurso’, estaremos transformando a visão de mundo atribuída ao corpo.


Nós somos o nosso próprio corpo e, ao considerá-lo um instrumento, no sentido de ‘objeto’ ou ‘utensílio’, estamos atribuindo este valor a nós mesmos. Diferentemente, quando dizemos que o corpo é um recurso, no sentido de ‘origem’ ou ‘fonte’, exercitamos uma outra percepção: ao produzir música a partir dele, estamos produzindo música a partir de nós mesmos. Esta diferença é crucial para entendermos o significado da música que é produzida a partir dos sons do corpo, prática que sempre nos acompanhou, desde nossas origens. 

Pensar a música também como uma expressão do corpo abre as portas para várias idéias de como podemos interpretar os diversos tipos de expressões corporais e, o mais importante, também nos expressar, independente da forma.  Isso fica evidente na obra do Stomp, grupo que reúne atores de rua de várias nacionalidades e realizam performances, produzem sons e ritmos musicais utilizando sucatas e objetos do cotidiano. Além disso, os atores transformam o próprio corpo em instrumento de percussão. Nos espetáculos do grupo o foco é  apenas o som produzido por objetos não convencionais. Isso me traz a ideia que o que ele sugere é que apreciemos o som pelo som. Ou seja, a música somente pela musica.

Grupo Stomp



Exemplos citados em aula, como o quarteto SALUT SALON, que tocam muito bem  numa performance descontraída: e o mesmo tocando Adiós Nonino, no qual a performance dos muscos intensificavam o sentido da musica através dos movimentos corporais ao tocarem, fizeram com que víssemos diversas maneiras de expressar pela música, que é a arte mais acessível entre as “sete artes”.



A ideia de corpo como recurso musical abrange não só a técnica e a habilidade de fazer sons a partir de movimentos e atritos ente partes de corpo ou entre corpo e objeto, mas também pode abranger o canto que é um elemento musical, e que também é uma habilidade que necessita do corpo para que seja posta em prática. O canto aliado a uma interpretação corporal consegue produzir mensagens e provocar sessações/emoções únicas e é uma habilidade muito apreciada, como podemos notar no vídeo abaixo: 




Eu acredito no poder que arte tem de expressar e, transmitir e preservar cultura -de um lugar ou de uma pessoa ou grupo de pessoas-, ainda mais no poder da música, que é um elemento presente na maioria dos grupos culturais, justamente por ser a arte mas acessível.  
 


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